Pedrinho sobe o tom contra Flamengo e Fluminense e promete rever concessão do Maracanã

Presidente do Vasco afirma que clube vai aumentar a pressão sobre o consórcio que administra o estádio e diz que pretende questionar a própria licitação do Maracanã

O presidente do Vasco, Pedrinho, voltou a elevar o tom na disputa com Flamengo e Fluminense pelo uso do Maracanã. Na terça-feira (6), após a aprovação da venda da SAF vascaína pelo Conselho Deliberativo, o dirigente afirmou que pretende rever a situação da concessão do estádio e avisou que o clube vai aumentar a pressão sobre o consórcio formado pelos dois rivais.

“Se o Vasco passou um período sem representatividade e isso está incomodando, vai incomodar muito mais. Inclusive com o consórcio Maracanã, com a licitação. Eu vou rever isso”, declarou Pedrinho.

A manifestação acontece em meio ao novo capítulo da disputa pelo estádio. O Vasco tenta conseguir autorização para mandar contra o Boca Juniors, no dia 20 de outubro, o jogo de volta da semifinal da Copa Sul-Americana. Na terça-feira, porém, a Justiça do Rio negou o recurso apresentado pelo clube para obter uma liminar que obrigasse a concessionária Fla-Flu Serviços S.A. a liberar o Maracanã.

Pedrinho questiona relação com o Maracanã

Pedrinho sustenta que o Vasco possui direitos previstos em um acordo relacionado à utilização do Maracanã. Segundo o presidente, o entendimento previa quatro partidas do clube no estádio por temporada, além dos clássicos contra Flamengo e Fluminense.

O dirigente também revelou que o acordo teria surgido após uma iniciativa do presidente do Flamengo, Luiz Eduardo Baptista, o Bap. Pedrinho afirmou que, inicialmente, buscava uma alternativa para exercer o mando de campo contra o Flamengo e acabou aceitando um entendimento que permitiria ao Vasco utilizar o Maracanã em determinadas partidas.

Na avaliação do presidente vascaíno, entretanto, o clube não conseguiu exercer aquilo que considera ser seu direito em 2026. O Consórcio Maracanã recusou pedidos para partidas contra Vitória e Palmeiras, pela Copa do Brasil, e também negou a solicitação para o confronto diante do Boca Juniors.

“Eu não estou falando sobre título. Estou falando sobre reestruturação institucional. Eu não prometo título, não prometo vitória, eu prometo trabalho. Com a reestruturação institucional, vai incomodar muito mais pessoas”, afirmou Pedrinho.

O presidente ainda disse que não pretende tratar a questão como um pedido de favor ao consórcio. Para ele, a discussão envolve o cumprimento dos direitos que o Vasco entende possuir.

Disputa pelo jogo contra o Boca Juniors continua

A batalha pelo Maracanã ganhou força nas últimas semanas justamente por causa da semifinal da Sul-Americana. O Consórcio Fla-Flu argumenta que as condições do gramado e o calendário de partidas impedem a realização de mais um jogo no estádio. O Vasco, por sua vez, questiona os critérios utilizados e aponta que o Maracanã recebeu partidas com intervalos curtos durante a temporada.

O Ministério Público do Rio de Janeiro também entrou na discussão. O órgão recomendou que a concessionária disponibilize o Maracanã para Vasco x Boca Juniors, citando, entre outros fatores, uma manifestação técnica da Polícia Militar contrária à realização da partida em São Januário e favorável ao principal estádio do Rio.

Apesar disso, a decisão judicial de terça-feira manteve o impasse. O desembargador Alexandre de Carvalho Mesquita, da 23ª Câmara de Direito Privado do Tribunal de Justiça do Rio de Janeiro, entendeu que a discussão envolve questões complexas relacionadas ao gramado, ao calendário e à operação do estádio, não havendo naquele momento elementos suficientes para determinar a liberação do Maracanã.

O Vasco informou à Justiça que pretende manter a partida no estado do Rio de Janeiro e continua buscando uma solução para o confronto. A Conmebol estabeleceu o sábado (10) como prazo para a definição do estádio.

Presidente promete continuar enfrentando o consórcio

Pedrinho deixou claro que a discussão não deve terminar com a definição do palco da semifinal contra o Boca Juniors. O dirigente afirmou que pretende continuar questionando a situação do Maracanã e a concessão administrada por Flamengo e Fluminense.

“Eu não quero que façam covardia com o Vasco. Porque, se fizer, eu vou lutar até o fim”, declarou.

Em outro momento, o presidente reforçou a disposição de manter o confronto institucional: “Eu vou continuar lutando. Se isso vai incomodar, pode se preparar”.

A concessão do Complexo Maracanã foi vencida em 2024 pelo consórcio formado por Flamengo e Fluminense, com contrato de 20 anos. A atual disputa coloca em lados opostos os três principais clubes do Rio justamente em torno da utilização do estádio, enquanto o Vasco tenta ampliar sua participação e questiona os critérios adotados para a liberação da arena.

Para Pedrinho, a questão faz parte de uma tentativa mais ampla de reconstrução institucional do Vasco. E, diante da sequência de conflitos envolvendo o Maracanã, o presidente sinalizou que a relação com Flamengo e Fluminense deve continuar sendo marcada pelo enfrentamento nos próximos capítulos.

Pedrinho sobe o tom contra Flamengo e Fluminense e promete rever concessão do Maracanã


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